1 ano da Lei de Acesso à Informação

Um ano se passou desde a aprovação da Lei de Acesso à Informação no Brasil. A data é marcada com a realização de seminários para avaliação de seus resultados.

A CGU promove no dia 16.05.2013, o “Seminário de 1 ano da Lei de Acesso à Informação“, em Brasília. Além de celebrar a data, o seminário irá apresentar o primeiro balanço de vigência da Lei no Poder Executivo Federal.

Já a Redes pela Transparência e Participação Social promove, também no dia 16.05.2013 a mesa de diálogo “Um ano da Lei de Acesso à Informação: balanço dos avanços e desafios“, em São Paulo.

O que me parece interessante, antes de tudo, é a irônica ocorrência – na mesma data – de dois eventos a respeito, um organizado pela instituição ‘auditora’ da Lei e outro organizado pela sociedade. A qual você iria? 🙂

Por fim, fica a dica de leitura a respeito em outro blog, logo ali, a um clicar de link.

 

 

III Workshop Web Science : discussões oportunas e ampliação de parcerias

Depois de três dias de apresentações e debates em torno da Web , o III Workshop do Brasilian Institute for Web Science Research encerrou mais uma etapa com uma discussão oportuna: o Futuro da Internet. Nesta seção foi apresentado o projeto intitulado Future Internet Experimentation in Brasil (FIBRE), uma iniciativa que tem como um dos seus objetivos principais o desenvolvimento de uma plataforma experimental de suporte a experimentações de um novo desing e validação de novas arquiteturas, soluções, serviços e aplicações que dêem respostas aos principais problemas da internet hoje : performance, confiabilidade, escalabilidade e segurança.

O Future Internet Experimentação tem como principal objetivo criar um espaço comum entre Brasil e União Européia (UE) para a pesquisa experimental em Internet do Futuro- infraestrutura de rede e aplicações distribuídas, através da construção, operação e instalação de Internet do Futuro experimental. Além da ponte entre parceiros de dois continentes, o projeto reúne diferentes tecnologias, incluindo OpenFlow, comunicações sem fio e ópticas.

O III Workshop trouxe ainda uma delegação francesa que compõe  o International Research Group (GDRI) Innovative Reserch Issues on Web Science, uma iniciativa de colaboração bilateral envolvendo pesquisadores do Brasil eda França interessados no campo da Web Science.

Além da troca de experiências por meio de conferências, visitas, co-orientação e realização de workshops internacionais, o segundo propósito da GDRI é contribuir para o desenvolvimento de modelos de software para Web e aplicações relacionadas com a busca, recuperação e gestão da variedade de recursos (sociais, de conteúdo) armazenados em centenas de milhões de sites.

Entre os parceiros envolvidos no projeto, destaque para o Agorantic (Ágora + NTIC), uma espécie de Avatar francês do nosso Projeto Ágora.

O Agorantic foi criado em 2010 pela Universidade de Avignon, a fim de mobilizar e reunir suas melhores equipes de investigação sobre temas e projetos científicos, associando a informação por um lado e Ciências da Comunicação e Tecnologia (ICST), e, de outro Ciências humanas e Sociais (SUS). Conhecimentos específicos são compartilhados no contexto desses projetos interdisciplinares de modo que os participantes aprendam novas habilidades e promovam a emergência de um centro de excelência com base nas palavras-chave: Cultura e da Comunicação de Ciência da Computação e Informação, Territórios e do Patrimônio Cultural, e Sociedade.

A apresentação do International Research Group (GDRI) Innovative Reserch Issues on Web Science foi no primeiro dia do evento e sob o Painel People and Society. Aberto com a apresentção intitulada People and Society: Gouverner par le Web, de Guillaume Marrel e Magali Nonjon. O trabalho dos franceses veio agregar conceitos como os de e-burocracity e o de e-militancy à discussão, introduzindo novos atores na análise da democracia digital e governo eletrônico, com foi a referência ao sociólogo Max Weber; trouxe ainda uma breve introdução à pesquisa que vem sendo conduzida na Universidade de Avignon pela equipe do Norbert Elias Centre, que trabalha na área de Cultura e Comunicação os temas envonvendo o paradigma digital.

Foram apresentados 43 trabalhos, divididos em 5 Painéis, sendo que 40% dos trabalhos apresentados versaram sobre o primeiro tema. Confira a distribuição dos trabalhos por temas dos painéis :

  1. People and Society- 17 trabalhos – 40%
  2. Software Technologies and Applications – 12 trabalhos-28%
  3. Management of Web Data- 7 trabalhos- 16%
  4. Foundations of Web Science- 4 trabalhos- 9%
  5. Web Infraestructure- 3 trabalhos- 7%Image

9º Simpósio Brasileiro de Sistemas Colaborativos define agenda de pesquisas futuras

Pela primeira vez foram realizados conjuntamente em São Paulo três dos maiores eventos promovidos pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC): O 27º Simpósio Brasileiro de Bancos de Dados (SBBD 2012), o 18º Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web (WebMedia 2012) e o 9º Simpósio Brasileiro de Sistemas Colaborativos (SBSC 2012).

Na oportunidade a comunidade teve a notícia de que o livro-texto Sistemas Colaborativos da disciplina homônima do currículo de referência da Sociedade Brasileira de Computação, uma publicação da série Campus/SBC  e escrito por quase 50 pesquisadores da área, foi indicado como finalista ao 54 º Premio Jabuti, na categoria Tecnologia e Informática, e posteriormente confirmado o resultado que garantiu à publicação o terceiro lugar nesta importante premiação no cenário nacional.

O 9º SBSC contou com a participação do professor  do Departamento de Informática da Universidade da Califórnia, David Redmiles, que proferiu palestra intitulada “Awareness,Trust, and Tool Support in Distance Collaborations”. Segundo Redmiles, a medida em que avança a pesquisa de ferramentas que suportam a colaboração, também avança o estudo sobre a reação dos indivíduos e suas organizações ao uso e não uso destas tecnologias.

Ele destacou os principais tópicos que serão discutidos pelos especialistas neste campo, como o desenvolvimento de ferramentas de suporte com interface que, além do visual, levará em conta aspectos tais como a percepção e a confiança entre colaboradores; efeitos do gênero e cultura, e o trabalho empírico em organizações laboratório.

Outro palestrante internacional, David W. Mcdonald, professor associado na Universidade de Washington, que conduz pesquisas que tem foco na colaboração em massa na Wikipedia e a colaboração e uso da mídia nas residências, trouxe para o evento a palestra “How a Million People Could Save the Planet : The Next Research Agenda for Collaborative Computing”.

Em sua palestra ele foca o potencial dos novos tipos de sistemas colaborativos em resolver novos problemas colocados pelo desenvolvimento tecnológico atual,  que não poderão ser resolvidos nem pela máquina, nem pelo ser humano, isoladamente. Para ele, as prioridades na pesquisa apontam para abordagens multidisciplinar que ajudem a compreender o comportamento dos membros desta comunidade virtual que cresce exponencialmente. São os desafios que se colocam para as áreas de Distributed Contributor Systems, Human Computation, Collective Intelligence, Web Science anda Social Computacional Systems (SoCS).

A palestra nacional ficou a cargo da pesquisadora e professora do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Católica de Pelotas,  Raquel Recuero, cujo tema foi “Redes Sociais Online, Capital Social e Cooperação”. Na sua apresentação, a pesquisadora destacou o papel das redes sociais on-ine como facilitadoras dos processos colaborativos a partir da construção do  capital social, conceito este definido pelas práticas conversacionais que originam novas formas de negociar e construir valores sociais tais como a reputabilidade, autoridade, visibilidade, popularidade e que podem ser utilizados pelos atores na rede como elementos de cooperação e colaboração. A pesquisadora ressaltou o caráter cooperativo da rede, tendo em vista que se trata de um sistema complexo e caótico, onde estratégias que não sejam as de colaboração acabam por se neutralizarem.

O evento contou ainda com apresentações de trabalhos divididos em cinco sessões técnicas identificadas pelos seguintes tópicos :

1) Computer Supported Comunication

2) Collaboration Based on Things

3) Virtual Communities

4) Context and Collaboration Modeling

5) Social Networks Analysis

Rio de Janeiro sediará a 14ª Conferência da International Society for Knowledge Organization (ISKO)

Será na cidade do Rio de Janeiro, em 2016, a 14ª  Conferência da International Society for Knowledge Organization (ISKO) sob o auspício do Capítulo ISKO- Brasil, que tem como presidente a profª Drª Vera Dodebei do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e membro do Projeto Ágora.

O encontro é realizado bianualmente e reúne a comunidade acadêmica com trabalhos sobre a organização do conhecimento, em ambiente de explosão da informação e acesso às novas tecnologias de comunicação e informação.

Os trabalhos “  Knowledge representation by social identity categories: the Brazilian Institute for Web Science Research, a case study” e “Discourse Analysis as an approach to categorizing the Domain of Public Policy : The case of brazilian E-Government”  foram aprovados e apresentados na12ª ISKO 2012 Conference,  realizada em Bangalore, India, de 06 a 09 de agosto. 

Conforme os editores dos Proceedings of the Twefth International Isko Conference, os professores A. Neelameghan e K.S.Raghavan, “A Internet e o ambiente WWW levaram a uma situação em que muitas comunidades diferentes, incluindo a Comunidade da Organização do Conhecimento, dentro da Biblioteca e da comunidade da Ciência da Informação, começaram a abordar seriamente os assuntos  relacionadas à organização do conhecimento para apoiar a recuperação da informação e descoberta de conhecimento no ambiente digital”.

Ainda segundo estes autores, a  literatura  da ciência da informação dos últimos tempos fornece evidências de que os profissionais da informação e especialistas em domínios cognatos têm se concentrado nos estudos e na problemática de questionar a relevância, utilidade e valor de dispositivos como os sistemas de classificação de assunto e tesauros no ambiente digital. 

Nesta perspectiva de ter o ambiente digital como referência, os trabalhos apresentados pelos membros do Projeto Ágora procuraram contribuir para os estudos que despontam na área, e como os organizadores da 12ª  Conferência ISKO vaticinam, “Não será errado dizer que aperfeiçoamentos e melhorias na Organização do Conhecimento  acontecerá no futuro, principalmente através de uma fertilização cruzada de idéias, ferramentas e técnicas”.

Participaram da 12ª Conference International ISKO, como autores, pesquisadores de  universidades de diversos países a saber :  Alemanha, Algéria, Brasil (cuja delegação foi significativa),  Canadá,Eslovênia, Espanha, EUA,Finlândia,França, Índia,Irã,Polônia,Reino Unido,Singapura, eTaiwan.

Em 2014, a cidade de Cracóvia, na Polônia, irã sediar a 14ª Conference ISKO.

Arquivos de Log são memória digital


O projeto de lei 2126/2011, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil, foi encaminhado pelo Executivo em 2011 e está sendo apreciado em Comissão  Especial formada pela Câmara para debater o Marco Civil da Internet. Esta por sua vez optou pelo uso  das ferramentas de participação popular na construção do documento, e está realizando uma série de audiências públicas . Todas as audiências e seminários serão transmitidos ao vivo, por streaming, no portal e-Democracia, da Câmara dos Deputados. Todo e qualquer cidadão pode se cadastrar no portal para participar em tempo real do bate-papo durante os eventos, bem como enviar sugestões na Wiki e no Fórum do portal. O relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), apresentará seu parecer depois da conclusão de um ciclo de seis seminários, nos estados, e duas audiências públicas, em Brasília. O próximo seminário, no formato de audiência pública, será realizado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), dia 04 de junho, às 18h30 – Praia do Botafogo

O projeto é uma das prioridades do governo para 2012 e traz novidades na legislação, como a neutralidade de rede, que impede a limitação do acesso a determinados conteúdos por meio da redução da velocidade de navegação.

Pelo projeto, será vedado ainda monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados. Outros princípios que deverão ser observados são: a liberdade de expressão; a proteção da privacidade e dos dados pessoais; e a preservação da natureza participativa da rede.

A Guarda de Logs

O PL 2126/2011 define  Internet como  o sistema constituído de conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes redes.

Tal sistema produz uma incomensurável Memória digital, identificada por:

 

Registro de conexão – conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma conexão à Internet, sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados;

Registros de acesso a aplicações de Internet – conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de Internet a partir de um determinado endereço IP.

Em discussão estão os artigos 10, 11, principalmente no que tange às questões de privacidade e acesso à  informação dos registros e da preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem de usuários.

A questão da patrimonialização desta memória digital foi proposta durante o debate ocorrido na audiência pública realizada no III Encontro Nacional de Blogueiros , em Salvador, como uma contribuição do Projeto Ágora de Democracia Digital.

Também foi sugerido  que o processo de patrimonialização da memória digital contida nos registros de conexão e de acesso à aplicações da Internet ficasse a cargo das comunidades usuárias (de prática) diretamente interessadas, aumentando assim o controle e a participação que o ambiente digital proporciona.

Para maiores esclarecimentos, transcrevemos os artigos acima relacionados : http://edemocracia.camara.gov.br/web/marco-civil-da-internet/wikilegis

Na Seção II que trata da Guarda de Registros, conforme o  Art. 10, a  guarda e a disponibilização dos registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet de que trata esta Lei devem atender à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas.

§ 1o O provedor responsável pela guarda somente será obrigado a disponibilizar as informações que permitam a identificação do usuário mediante ordem judicial, na forma do disposto na Seção IV deste Capítulo.

§ 2o As medidas e procedimentos de segurança e sigilo devem ser informados pelo responsável pela provisão de serviços de conexão de forma clara e atender a padrões definidos em regulamento.

§ 3o A violação do dever de sigilo previsto no caput sujeita o infrator às sanções cíveis, criminais e administrativas previstas em lei.

Da guarda de registros de conexão

Art. 11. Na provisão de conexão à Internet, cabe ao administrador do sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de um ano, nos termos do regulamento.

§ 1o A responsabilidade pela manutenção dos registros de conexão não poderá ser transferida a terceiros.

§ 2o A autoridade policial ou administrativa poderá requerer cautelarmente a guarda de registros de conexão por prazo superior ao previsto no caput.

§ 3o Na hipótese do § 2o, a autoridade requerente terá o prazo de sessenta dias, contados a partir do requerimento, para ingressar com o pedido de autorização judicial de acesso aos registros previstos no caput.

§ 4o O provedor responsável pela guarda dos registros deverá manter sigilo em relação ao requerimento previsto no § 2o, que perderá sua eficácia caso o pedido de autorização judicial seja indeferido ou não tenha sido impetrado no prazo previsto no § 3o.

 

O foco Guarda de logs e Privacidade dos Usuários foi o tema do seminário em Salvador:

Foram convidados para discutir o assunto:
– o representante do terceiro setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil, Sérgio Amadeu;
– o diretor da Associação Baiana de Imprensa (ABI) e presidente da Associação Baiana de Jornalismo Digital (ABJD), Ricardo Luzbel;
– os professores da Universidade Federal da Bahia André Lemos; Wilson Gomes; Emiliano José e Nelson Pretto.

Renata Mielli – Barão de Itararé
●Sérgio Amadeu – Prof. Doutor da UniABC e representante do terceiro setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br. Foi Presidente do Instituto Nacional da Tecnologia da Informação (ITI) da Casa Civil da Presidência da República
●André Lemos – UFBA
●Wilson Gomes – UFBA
●Ricardo Luzbel – Diretor da Associação Baiana de Imprensa (ABI) e da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing da Bahia (ADVB – BA), além de presidente da Associação Baiana de Jornalismo Digital (ABJD)

Deputados que comporam a mesa

●Dep. Alessandro Molon (PT-RJ) – Relator do Marco Civil da Internet
●Dep. João Arruda (PMDB-PR) – Presidente da Comissão Especial do Marco Civil da Internet
●Dep. Antonio Imbassahy (PSDB-BA)
●Dep. Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

 

por Míriam Gontijo

Blogueiros discutem o Marco Civil da Internet e defendem ideário da revolução francesa

O III Encontro Nacional de Blogueiros começou sexta-feira (25 de maio 2012), em Salvador (BA), com um  ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão que reuniu desde  parlamentares, ex- ministro, jornalistas, blogueiros a representantes de movimentos sociais. Além da luta pelo marco regulatório da Internet e pela liberdade de expressão, as lutas dos ativistas digitais incluem, principalmente a democratização da mídia e a governança multilateral da Internet.

O Debate de abertura: Nas redes e nas ruas pela democratização da comunicação contou com a exposição dos pontos de vista de :

Franklin Martins – ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República do governo Lula;

Rosane Bertotti – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);

Marcio Pochmann– presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),

Nelson Breve– presidente da Empresa Brasil de Comunicação  (EBC)

Foto: Michael Rosa

Na abertura do Encontro, o ex-ministro Franklin Martins defendeu a regulação da Comunicação eletrônica e  acrescentou: defender isso é defender “o que já está na Constituição” ao propor uma ampla campanha de mobilização nacional em defesa da regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da comunicação. “Nada além da Constituição” seria o lema do movimento, que teria o seu auge no dia 5 de outubro, data em que se completam 24 anos de promulgação da Constituição de 1988, com uma grande ação em defesa da Carta Magna brasileira.

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exaltou o papel que a blogosfera vem cumprindo no país, e acrescentou que a ausência de regulação na comunicação é uma grave falha do sistema democrático do país.

O presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Nelson Breve, ressaltou que  a blogosfera atua como uma imprensa vigilante e além de trazer novas informações e pontos de vista, ela também vigia os erros e a partidarização, às vezes excessiva, da grande imprensa.  Para ele,  “Não há democracia que sobreviva sem que todos os segmentos da sociedade tenham o direito à informação e à expressão.”

O ex-presidente Lula enviou uma  mensagem em vídeo ressaltando “O trabalho de vocês é muito importante. A Internet é um meio fundamental para garantir a liberdade de expressão, a diversidade de opinião e a construção da cidadania e participação na vida política do país”,

No dia 26 de maio, sábado a programação foi

9 horas – Em defesa da blogosfera e da liberdade expressão:

Paulo Henrique Amorim (SP); – Lucio Flavio Pinto (PA); – Emílio Gusmão (BA); – Esmael Moraes (PR);

11 horas – Mídia e blogosfera: experiências internacionais: – Ignácio Ramonet (Le Monde Diplomatique – França); – Andres Thomas Conteris (Democracy Now e Ocuppy Wall Street – EUA); – Osvaldo Leon (Agência Latinoamericana de Informação – Equador); – Iroel Sanchez (Blog La Pupila Insomne – Cuba);

Ao falar da experiência do  Democracy Now! ,Andres Thomas Conteris, fundador do Democracy Now!  disse que  a iniciativa surgiu diante da escassez de informação diversificada nos Estados Unidos, devido ao domínio do mercado da comunicação pelas grandes empresas”, explica. Hoje, o Democracy Now! tem cerca de mil emissoras de rádio e a versão em língua espanhola do sítio já contabiliza 300, que reproduzem os conteúdos do veículo.

Na opinião de Conteris, há um paralelo claro entre a comunicação participativa da blogosfera e os movimentos que resultaram na Primavera Árabe e no próprio Ocuppy Wall Street.

A tarde foi premiada com o debate ” A batalha pelo marco civil da internet” .

Na prática, esta atividade foi uma mesa do seminário que a Comissão Especial do Marco Civil da Internet   (PL 2126/11)  fez no sábado, 26 de maio, em Salvador (BA), sobre liberdade de expressão e o potencial de inovação da internet, com o foco  nas questões Guarda de logs e Privacidade dos Usuários.

Foram convidados para discutir o assunto:
– o representante do terceiro setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil, Sérgio Amadeu;
– o diretor da Associação Baiana de Imprensa (ABI) e presidente da Associação Baiana de Jornalismo Digital (ABJD), Ricardo Luzbel;
– os professores da Universidade Federal da Bahia, André Lemos; Wilson Gomes; Emiliano José e Nelson Pretto.

–  Renata Mielli  – diretora do Centro de Estudos Barão de Itararé

Deputados com participação na mesa

– Dep. Alessandro Molon (PT-RJ) – Relator do Marco Civil da Internet
– Dep. João Arruda (PMDB-PR) – Presidente da Comissão Especial do Marco Civil da Internet
-Dep. Antonio Imbassahy (PSDB-BA)
-Dep. Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

Além de Salvador, ainda haverá eventos em São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa e Brasília, com datas, locais, horários e palestrantes por confirmar.

Todas as audiências e seminários serão transmitidos ao vivo, por streaming, no portal e-Democracia, da Câmara dos Deputados. Todo e qualquer cidadão pode se cadastrar no portal para participar em tempo real do bate-papo durante os eventos, bem como enviar sugestões na Wiki e no Fórum do portal.

A batalha pelo Marco Civil da Internet foi, na minha avaliação, o debate que evidenciou a importância do tema patrimônio digital para o avanço da Democracia Digital (responsável: Renata Mielli) – João Arruda (deputado federal do PMDB/PR e presidente da comissão que analisa o projeto); – Jandira Feghali (deputada federal do PCdoB/RJ e integrante da comissão) – Sérgio Amadeu (integrante do Comitê Gestor da Internet); –);

Patrimônio Digital : ser ou não ser, eis a questão.

O I Seminário Internacional em Memória Social- Memoração, Patrimonialização e Imagens documentárias, realizado de 13 a 15 de março pelo Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, já deu mostras do grau de  interdisciplinariedade do tema, visualizado não apenas pelo conteúdo diversificado das Mesas Redondas e a variedade dos pontos de vista reunidos, mas a qualidade e o aprofundamento das discussões em torno de um novo domínio de pesquisa envolvendo memória social, patrimonialização e a mediação dos saberes.

Um dos objetivos do seminário foi justamente o de preparar o terreno para um programa de doutorado em Memória Social em nível internacional. O evento está inserido ainda no projeto de elaboração do livro bilíngue “Memória e novos patrimônios”, coordenado por Cécile Tardy (França) e Vera Dodebei (Brasil), no âmbito do projeto Saint-Hilaire (Capes/MAEE).

A problemática apresentada por este novo domínio de pesquisa está em pensar o PATRIMÔNIO como categoria científica e modelos de análise a partir da Imagem.

A Imagem é aqui referenciada justamente por ser pensada como um dispositivo que representa e pode ser contemplada, se caracterizando como um Médium, metáfora esta que designa a condição interdisciplinar.

Para o Projeto Ágora de Democracia Digital, a questão do  processo de PATRIMONIALIZAÇÃO em ambiente digital é um desafio. Questões já bem resolvidas para a categoria Patrimônio Cultural Material, como a existência de um referente que define a construção de uma adesão de comunidades em torno da sua importância como objeto de patrimonialização, não são tão tranqüilas em se tratando do Patrimônio Cultural Imaterial, situação em que o objeto é identificado, mas não a sua origem,o que vai demandar a necessidade de reconstituir um saber sobre o contexto no qual se insere este objeto.

Do ponto de vista da patrimonialização cultural imaterial, questões fundantes ainda estão em construção como o quê é Patrimônio Imaterial ?  Suporte que  torna visível  certa manifestação, ou  a Manifestação do Patrimônio Imaterial é o suporte?

A grande questão que se coloca para o Patrimônio Cultural Imaterial, na opinião do conferencista que abriu o evento, o Prof. à l`Université d`Avignon et des Pays de Vaucluse, Avignon, França, Jean Davallon, é a gestão de um possível DISTANCIAMENTO da sua origem, identificada por ele na memória coletiva,que é a cultura existente enquanto houver indivíduos, grupos sociais que suportem esta memória cujo registro se dá no regime da oralidade.

Outras problemáticas apontadas por Davallon : As questões da Autenticidade e da Validade do Suporte e do contexto.

A linha de pesquisa  Memória e Patrimônio do Programa de Pós-graduação em Memória Social da Unirio tem como tema de investigação o Patrimônio e Memória Social Online, ou no Ambiente Virtual, proposto pela profª Vera Dodebei.

Dodebei, que também integra o Projeto Ágora, traz como contribuição a reflexão sobre memória e patrimônio representados no ambiente virtual, por um processo codificado em linguagem computacional.

Com as novas modalidades de registro,organização e disseminação dos saberes a partir da digitalização, categorias como Digitalidade e Virtualidade são exploradas na dinâmica comunicacional do ciberespaço e em modelos teóricos de produção de conhecimento.

Foram apresentadas comunicações neste contexto  que podem ser identificadas como contribuições para um projeto em torno da Democracia Digital como o caso do trabalho em andamento e intitulado” Patrimônio em rede: a cinza, a base e os direitos indígenas no Brasil” de Jose Ribamar Bessa Freire e Renata Daflon; “A Internet, a memória e o patrimônio digital”, de Vera Dodebei e Rosali Nunes Henriques, e ” Colecionadores de Imagem- representação narrativa e identidade nas redes sociais digitais”, de Leila Beatriz Ribeiro e Márcia Elisa Rendeiro.

A Mesa Redonda realizada no segundo dia do evento, 14 de março, sob o tema IMAGENS COMO PERFORMANCES PATRIMONIAS trouxe bastante contribuições em se tratando do Projeto Ágora de Democracia Digital como a apresentação do Diretor do  Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e professor de história da Universidade Federal Fluminense , PauloKnauss ,sobre “História e imagem: fotografia de arquivo”, em que elucida o momento do arquivamento como uma ruptura importante na vida de um documento que deixa de ser corrente e passa a ser permanente, portanto vai constituir a memória de uma ação. No universo das fotografias de governo, o documento fotográfico tem implicações como servir de veículo e comprovação das ações governamentais, qualificando-se como Documento de Arquivo cuja organicidade, entendida como a correta vinculação de sua gênese contextual, vai ser determinante para a sua rastreabilidade .

Segundo o diretor, as imagens não devem ser tratadas pelo seu conteúdo intrínseco e sim pela suas relações, o que na sua avaliação é a garantia de identificação de atributos importantes como Autoria e Responsabilidade Institucional.

No campo da reflexão metodológica, a apresentação intitulada “Etnografia da duração, estudos sobre memória e patrimônio: a experiência do Banco de Imagens e Efeitos Visuais da UFRGS”, da antropóloga e coordenadora de pesquisa do Banco de Imagens e Efeitos Visuais, Ana Luiza Rocha, nos dá outros parâmetros para a abordagem do como fazer.

Publicado por : Míriam Gontijo